TrainingPeaks e o uso eficiente da tecnologia para melhorar os treinos

Data: 05-SET-2019   |     200

É praticamente impossível, hoje, dissociar treinamento de tecnologia. Com Stravas e Garmins e Suuntos tão largamente utilizados, a captação de dados referentes a todo um período de treinos se tornou quase tão natural quanto o próprio ato de correr.

A questão que aparece, no entanto, é outra: o que fazer com esses dados? Se o objetivo é tão somente enxergar em uma tela a quantificação do suor que você deixou no asfalto ou na trilha, tudo bem: não é mesmo preciso muito esforço de análise. Mas se, por outro lado, o objetivo for utilizar esses dados para melhorar o seu condicionamento físico e, consequentemente, sua performance, aí tudo muda de figura.

Nesse caso, os aplicativos mais populares, se usados de maneira isolada, tendem mais a atrapalhar do que a ajudar. Quer um exemplo? Imagine que você esteja se preparando para bater um recorde pessoal em uma prova qualquer e, além das planilhas que estiver seguindo, acabe naturalmente se baseando nos dados do seu Strava. Por lá, você não apenas verá o seu próprio desempenho, como também o de outros amigos ou atletas que segue - e facilmente acabará seduzido a se forçar mais e mais e mais a cada treino para poder "batê-los". O resultado natural disso? Cansaço. Que pode se transformar em queda de performance. Que fará você instintivamente se forçar ainda mais. Que piorará ainda mais o quadro até que ele se configure em um overtraining ou até mesmo em uma lesão.

Há incontáveis exemplos nessa mesma linha que atestam o perigo da tecnologia para o exercício - mas isso não quer dizer que não haja vantagens a serem colhidas. Diria mais, até: saber aliar a tecnologia certa ao treinamento é até fundamental para se otimizar a performance.

Mas, para isso, deve-se ir além de ferramentas sociais que medem desempenho e captam dados e mergulhar fundo na possibilidade de se interpretá-los.

Bem-vindos ao TrainingPeaks.

Descobri essa ferramenta há alguns anos pela minha assessoria e posso dizer, sem nenhum medo de exagero, que ela mudou completamente minha forma de encarar o treinamento justamente por ultrapassar a fronteira que separa os dados de suas respectivas análises.

O TrainingPeaks é uma plataforma que se integra a praticamente todos os smartwatches existentes, de Garmin a Suunto, digerindo os seus dados treino a treino e transformando-os em informação útil.

Ele mostra, em essência, quatro indicadores correlacionados:



  • TSS, ou Training Stress Score. Cada sessão de treino que fizer será convertida em TSS, uma espécie de base para toda e qualquer análise de esforço feita pela plataforma. Tudo contribui para o TSS: duração, intensidade, percurso etc. É a partir dele que conseguimos ter uma ideia mais clara da eficiência do treino por meio de outras três métricas: fadiga, condicionamento e forma.


  • Fadiga (ou ATL): É uma média exponencialmente ponderada dos TSS dos últimos 7 dias. Quanto maior a fadiga, maior o estresse que seu corpo estará e, portanto, menos ele conseguirá performar bem. Por outro lado, é justamente uma fadiga alta que garante a qualidade do treinamento no longo prazo uma vez que o estresse muscular é o responsável por fazê-lo mais forte.

  • Condicionamento (ou CTL): É uma média exponencialmente ponderada dos TSS dos últimos 42 dias, refletindo os efeitos dos treinos nos últimos três meses. Um fitness alto, portanto, significa um corpo forte, preparado para enfrentar picos de estresse maiores em uma prova.

  • Forma (ou TSB): É a subtração direta do Condicionamento pela Fadiga. Ou seja: se seu condicionamento estiver em 150 TSS e sua fadiga, em 165, sua forma será de -15. Por que isso é relevante? Porque uma forma negativa significa que sua capacidade de performance no dia imediatamente seguinte será mais baixa do que deveria; uma forma positiva, por outro lado, mostrará que você está mais apto a ter resultados melhores.

  • É aqui que tudo fica interessante: como o TrainingPeaks já é utilizado por milhares de atletas de todos os níveis e esportes em todo o mundo, há parâmetros claros de onde se deve estar por fase do treinamento.


  • Sabe-se, por exemplo, que manter a forma em níveis intensamente baixos (menores que -15) por tempo demais pode acabar gerando overtraining ou alguma lesão; que a faixa ideal para se melhorar o condicionamento gira entre -10 e +10 de forma; e até que há números específicos de condicionamento que você deve buscar caso deseje competir no alto nível em provas de corrida, ciclismo, natação ou triathlon.

    Pela minha experiência, esses números são realmente mágicos: você realmente consegue se enxergar e, de certa forma, prever cenários futuros com base neles. E, sem meias palavras, eu diria que é precisamente essa a vantagem da tecnologia aplicada para o esporte: permitir que consigamos nos enxergar de maneira mais fria e mais prática, ao ponto de tomarmos decisões críticas mais com base em dados e não apenas em percepções gerais.

    Quer coisa melhor para um atleta de endurance?

    Para ficar mais claro, a imagem abaixo é o meu próprio gráfico do TrainingPeaks com o período entre meados de 2016 e o começo de 2019 (filtrado exclusivamente para corrida e, portanto, ignorando os efeitos gerados pelo ciclismo e pela natação). Nele, a linha azul é o condicionamento; a rosa, a fadiga; a amarela, a forma. Coloquei também onde o meu condicionamento estava a cada prova relevante.

    "

    Escrito por Ricardo Almeida

    Um dos brasileiros que completou o Desafio Unogwaja 2018!


    Principal modalidade: Ultramaratonas, sejam em trilhas ou asfalto

    Junta-se candidatos de todo o mundo, faz-se uma seleção e estes têm o desafio de arrecadação. No Brasil, no ano passado foram 2 escolhidos, sendo ele um deles!

    No que consiste o desafio? Trata-se de pedalar 1.700 quilôme...


         



    conhecer Ricardo Almeida

    Gostou da matéria?
    Cadastre-se em nossa newsletter

    Não

    Não "quebre" na prova - 15 dicas

    Você já ouviu a expressão: “quebrei” em treinos ou principalmente em provas de corrida de rua?

    A “quebra” co...

    continuar lendo

    Trekking: dicas pra te salvar de passar perrengue

    Trekking: dicas pra te salvar de passar perrengue

    Em um mundo onde o cenário urbano é cada vez mais predominante, as atividades ao ar livre, em meio à natureza, chamam a atenç...

    continuar lendo

    06 dicas para completar uma maratona com sucesso

    06 dicas para completar uma maratona com sucesso

    A corrida de rua tem feito parte da vida de um grande número de pessoas. Alguns em busca da melhor qualidade de vida, outros, em ...

    continuar lendo

    O PODER DE INFLUENCIAR

    O PODER DE INFLUENCIAR

    Antes, ao ligar a TV, era comum ver alguma celebridade aparecer na divulgação de eventos e produtos para os telespectadores: el...

    continuar lendo

    Maratona é igual Matrix, não tem como explicar!

    Maratona é igual Matrix, não tem como explicar!

    Dia 29 de setembro teve a Maratona Internacional de Foz do Iguaçu e foi a minha décima experiência na distância! O que posso d...

    continuar lendo