Que tal correr uma ultra?

Data: 01-OUT-2019   |     291

Desafios, sempre acreditei, são sempre absolutamente pessoais. Para alguns atletas, correr uma maratona sub-3 pode ser a meta de suas vidas; para outros, a caça a pódiuns é tudo o que importa; e para mais outros tantos, conseguir fechar bem os primeiros 10K pode equivaler a uma medalha de ouro olímpica.

Mas, entre a caça por tempos mais curtos, reconhecimentos mais públicos ou distâncias mais icônicas, há um tipo de meta que eu gostaria de recomendar com mais... digamos... entusiasmo.

Seja você um corredor lento e iniciante ou veloz e experiente em provas de 10K, 21K ou até uma Maratona, que tal estabelecer como meta uma ultra no futuro próximo?

Não que seja uma prova mais importante que qualquer outra: como disse na abertura deste post, todo desafio é pessoal e, até por isso mesmo, valiosíssimo.

Mas se em distâncias que vão até o marco da Maratona aprende-se a ter disciplina (essencial para os treinos) e auto-controle (para garantir que se cruze a chegada), em ultras, aprende-se uma outra habilidade: a ressuscitar.

Porque - não tenha dúvidas - é impossível correr 75, 90 ou 100K mantendo o pace constante, fixo; é impossível seguir uma estratégia perfeita até o final da prova, sem que nenhum imprevisto apareça; e é impossível não atravessar o percurso inteiro sem se sentir absolutamente esgotado no meio dele.

Esgotado. Sem forças para dar um passo novo sequer. Com sede, mas sem conseguir beber mais nada. Com fome, mas sem que o estômago consiga aceitar bem qualquer comida. Esmigalhado, cabisbaixo, mastigado.

Morto.

Mas é justamente aí que a magia acontece.

Com um passo depois do outro, insistindo que continuar como um zumbi é melhor que parar como um cadáver, forçando pensamentos positivos sobre buracos depressivos, uma onda nova de energia subitamente aparece. De repente. Do nada. Sem que você tenha mudado qualquer coisa visível no seu estado físico.

E aí, de repente, a endorfina volta, a energia reaparece na musculatura, o pace se acelera, o sorriso volta ao rosto. As dores não somem, claro - isso provavelmente ainda levará alguns dias. Mas elas ficam suportáveis, quase pequenas perto da magnitude do feito que se estará por concluir.

Toda ultra é assim: começa-se empolgado, morre-se ao longo do caminho e ressuscita-se logo depois para se concluir com um sorriso pregado no rosto.

E sabe de uma coisa? Sem querer menosprezar nenhuma outra distância - porque todas têm o seu óbvio e devido mérito para cada um dos atletas - aprender a ressuscitar é um dos maiores prêmios que se consegue tirar das ultras. E é, também, uma habilidade que se leva para todas as áreas da vida, seja no aspecto pessoal e familiar ou no profissional.

Assim, esteja você no ponto em que estiver, considere experimentar uma ultra no futuro próximo.

Você precisará de disciplina de treino e de força de vontade - mas isso todo corredor já tem e basta dosar o volume e a agenda. Pode ser que você ame a experiência? Sim, claro. Pode ser que odeie? Sem sombra de dúvidas.

Mas, amando ou odiando, uma coisa é certa: você terá uma experiência única e passará a encarar a vida inteira com um tipo de calma e segurança que, acredite, só quem já enfrentou - e venceu - o apocalipse consegue ter.

"

Escrito por Ricardo Almeida

Um dos brasileiros que completou o Desafio Unogwaja 2018!


Principal modalidade: Ultramaratonas, sejam em trilhas ou asfalto

Junta-se candidatos de todo o mundo, faz-se uma seleção e estes têm o desafio de arrecadação. No Brasil, no ano passado foram 2 escolhidos, sendo ele um deles!

No que consiste o desafio? Trata-se de pedalar 1.700 quilôme...


     



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