Mudando o objetivo

Data: 25-ABR-2019   |     146

Sempre há, em qualquer ciclo de treino, alguma estrutura lógica que transforma qualquer planilha em uma tese acadêmica.

Há a base, o período pre-competitivo, o polimento e tudo mais devidamente encaixado em macrociclos e mesociclos e blablablás.

Não que eu esteja criticando nada disso: não tenho dúvidas de que um planejamento de treino sofisticado leve a resultados muito mais competitivos - especialmente para atletas de elite. Mas a minha questão é toda essa: eu não sou atleta de elite.

Ao contrário, até: meu prazer em correr ultras não vem de fazer tempos curtos, mas sim de distâncias longas. Vem de cruzar paisagens diferentes, de sentir o corpo se reorganizar diante do prospecto de horas em exercícios repetitivos, de mergulhar no metafísico enquanto seguimos ritmos metronômicos por horas a fio.

Dito isso, também faço as minhas periodizações. Também tenho meus treinos de base, meus tiros, meus polimentos: toda prova tem seus pontos de corte e a última coisa que quero é cair em algum deles. Mas de todas as fases de um treino, considerando absolutamente tudo, a que eu mais curto é justamente a que estou agora, faltando pouco menos de dois meses para a minha quarta Comrades: a dos longões intermináveis.

Não há paces insanos. Não há intensidades sufocantes. Não há energias guardadas ou acumuladas.

Há constância pura por 30, 40, 50, 60km seguidos todos os sábados. Há sensação de colapso pós-treino, de pele queimada de sol, de suor, de endorfina, de bênção polidivina.

Uma prova alvo, qualquer que seja ela, é apenas um ponto em um calendário de meses ou anos. É um ponto para o qual nos preparamos com todas as nossas forças, claro - mas continua sendo um ponto.

Considerando que não ganharemos dinheiro e sustento de acordo com o nosso resultado nela, de que vale nos matar para cruzar sua linha de chegada dentro de um marco qualquer? Ao invés de nos matar, não é melhor viver o treino como se ele fosse a meta em si, com um objetivo de diversão mais ambicioso que o de qualquer tempo?

Ultramaratona, afinal, é precisamente isso: tirar prazer de correr distâncias impensáveis por horas a fio.

"

Escrito por Ricardo Almeida

Um dos brasileiros que completou o Desafio Unogwaja 2018!


Principal modalidade: Ultramaratonas, sejam em trilhas ou asfalto

Junta-se candidatos de todo o mundo, faz-se uma seleção e estes têm o desafio de arrecadação. No Brasil, no ano passado foram 2 escolhidos, sendo ele um deles!

No que consiste o desafio? Trata-se de pedalar 1.700 quilôme...


     



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